Ciclone devasta estruturas de produtores de leite no Rio Grande do Sul, deixando comunidades rurais em estado de emergência

Fortes ventos causam destruição em galpões e prejudicam a produção leiteira no estado

Porcos encontram refúgio entre os escombros após um ciclone devastar os alojamentos em uma propriedade em Santa Rosa (RS).
Porcos encontram refúgio entre os escombros após um ciclone devastar os alojamentos em uma propriedade em Santa Rosa (RS). — Foto: Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA). Tirada de g1.globo.com


Um ciclone extratropical de proporções devastadoras atingiu o estado do Rio Grande do Sul, deixando um rastro de destruição nas comunidades rurais e afetando severamente os produtores de leite. A passagem do ciclone, caracterizado por fortes ventos, resultou na destruição de galpões e estruturas agrícolas em várias regiões, deixando os agricultores em situação de emergência.

Na região Celeiro, localizada no noroeste do estado, cerca de oito cidades foram severamente afetadas, resultando em mais de 500 produtores de leite com suas estruturas danificadas. Segundo relatos do vice-presidente de Finanças da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Nacir Penz, a situação é desoladora e exige apoio urgente das autoridades.

"A coisa está cruel. Teremos que encontrar uma maneira de distribuir os animais entre os produtores que não foram afetados. Muitos produtores de outras cidades já estavam ajudando e tentando salvar os animais", destacou Penz, ressaltando a importância da solidariedade entre os produtores da região.

O presidente da Gadolando, Marcos Tang, descreveu a situação como um "cenário de guerra" na região Celeiro. Ele relatou que os produtores estão se esforçando para resgatar vacas presas nos escombros, enfrentando a falta de estruturas adequadas para ordenhar o leite. A situação é particularmente preocupante, pois os produtores já estavam enfrentando dificuldades no setor e agora se deparam com uma nova tragédia.


Chuvas intensas

Além dos danos físicos às estruturas, o ciclone também causou impactos no setor agrícola como um todo. O Boletim Integrado Agrometeorológico, divulgado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado, relata que a semana foi marcada por chuvas intensas em grande parte do Rio Grande do Sul. Os volumes acumulados foram elevados, variando entre 70 e 100 mm na maioria das regiões, com registros ainda mais altos em algumas localidades.





Essas condições climáticas adversas têm impactado diretamente as culturas agrícolas. A cultura de trigo, por exemplo, teve sua semeadura comprometida devido ao excesso de umidade no solo, causado pelas chuvas intensas. Os produtores enfrentam dificuldades para concluir a semeadura e algumas lavouras tiveram que recorrer à semeadura a lanço com distribuidores centrífugos.

A cultura de aveia branca, por sua vez, encontra-se em estágio final de implantação. Embora as lavouras implantadas apresentem desenvolvimento adequado, as chuvas adiaram a conclusão total do plantio. A canola também foi afetada, com a ocorrência de infestações de mariposas relacionadas à traça-das-crucíferas.

Além dos problemas enfrentados na agricultura, os criadores de bovinos de corte e de leite também estão sofrendo com as consequências do ciclone. A baixa oferta de forragem tem causado perda de peso nos animais, e muitos produtores estão buscando alternativas para a suplementação alimentar. O acúmulo de barro devido às chuvas tem prejudicado o crescimento das pastagens e a higiene na ordenha.

Diante dessa situação desafiadora, é essencial que as autoridades locais, estaduais e federais ofereçam apoio e assistência aos produtores afetados. Medidas emergenciais, como a distribuição de alimentos para o gado e a disponibilização de recursos para a reconstrução das estruturas danificadas, são necessárias para ajudar os agricultores a se recuperarem dessa tragédia.

A solidariedade entre os produtores e a comunidade em geral também desempenhará um papel fundamental na superação dessa adversidade. Com trabalho conjunto e apoio mútuo, os agricultores do Rio Grande do Sul poderão reconstruir suas atividades e garantir a continuidade da produção agrícola e leiteira, que são pilares essenciais para a economia e a segurança alimentar do estado.

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